E por fim… uma última reflexão

Ao longo deste semestre, as temáticas abordadas nas aulas de Didáctica II levaram-nos a procurar informação, a actualizar os nossos conhecimentos e, consequentemente, a ter uma perspectiva diferente sobre as temáticas abordadas.

A primeira temática “Investigação em Didáctica das Ciências”, “obrigou-nos” a pesquisar, a ler e reler, a pensar e reflectir sobre um assunto que gostássemos de investigar, tendo em vista a elaboração de um artigo científico e, eventualmente, a dissertação no próximo ano. A verdade, é que tomar uma decisão acerca do tema a desenvolver não foi fácil. Porém, hoje, reconhecemos que, em termos pessoais, foram bastante enriquecedoras as leituras efectuadas e os momentos de reflexão que as mesmas proporcionaram.

A temática “Avaliação das aprendizagens das Ciências” permitiu-nos reflectir e actualizar alguns conhecimentos sobre as diferentes modalidades da avaliação. As nossas práticas educativas têm servido para demonstrar o quanto há de subjectivo no acto de avaliar, quando o mesmo deveria consistir tão-só num acto de rigor contínuo e sistemático. Como já referimos noutros momentos, a avaliação é, sem dúvida alguma, uma das temáticas da educação em que é necessária formação adequada, com vista a eliminar a subjectividade inerente ao próprio processo e a dotar os docentes de instrumentos que não sirvam apenas para certificar o que o aluno já sabe. Importa que a avaliação sirva para avaliar as aquisições feitas pelos alunos, mas também para ajudar a detectar as falhas ou as dificuldades existentes, contribuindo para criar as condições necessárias à aprendizagem de todos e cada um dos alunos.

A temática “A Educação para o Desenvolvimento Sustentável” é extremamente actual, pois vivemos numa sociedade demasiado consumista que se preocupa, essencialmente, em satisfazer as necessidades do presente, independentemente das consequências que daí poderão advir para o futuro. Por norma, quando ouvimos falar em “Desenvolvimento Sustentável” direccionamos a temática para a área do ambiente, por questões relacionadas com a poluição e preservação dos recursos que o planeta coloca à nossa disposição. É óbvio que a escola, nos últimos tempos tem dito presente e, na medida do possível, tem ajudando a sensibilizar e a formar cidadãos mais responsáveis sob o ponto de vista ambiental, de modo a inverter a tendência destruidora empreendida pelo Homem a partir da época da industrialização. Todavia, parece-nos fundamental alargar o conceito de “Desenvolvimento Sustentável” para “Desenvolvimento Humano”, na exacta medida em que importa consciencializar a sociedade, em geral, e não apenas as comunidades educativas para as temáticas da Educação para a Cidadania, ou seja, formar para a educação ambiental, para os direitos humanos, para a paz, etc. Formar, portanto, cidadãos mais conscientes, mais cooperantes e mais solidários.

A temática “O trabalho Prático no Ensino das Ciências no 3.º CEB e ES” permitiu-nos recordar as diferentes modalidades de trabalho prático existentes, mas alertou-nos, também, para o facto do trabalho laboratorial ou qualquer outra actividade prática, não serem utilizadas, apenas, para motivar os alunos, para tornar as aulas mais atractivas. O Ensino das Ciências deve recorrer ao trabalho prático para criar desafios intelectuais que mantenham os alunos interessados em querer compreender fenómenos, relacionar situações, desenvolver interpretações e elaborar previsões. Ou seja, o trabalho prático deve servir para potenciar o envolvimento nas tarefas e, consequentemente, promover o desenvolvimento do próprio pensamento, no intuito de ajudar os alunos a encontrar soluções para as situações-problema com que se deparam. De acordo com os aspectos referidos, reconhecemos que, algumas vezes, não orientamos as actividades práticas da forma mais correcta, já que as direccionamos muito para os aspectos processuais em detrimento dos domínios cognitivos e afectivos. Daí a necessidade de repensarmos a forma como utilizamos o trabalho prático para que o mesmo resulte em mais-valias efectivas para o processo de aprendizagem.

A Temática “A Sexualidade e Educação Sexual no 3.º CEB e Ensino Secundário” sensibilizou-nos, essencialmente, para as questões da promoção da igualdade entre os sexos e para a eliminação de comportamentos baseados na discriminação sexual. Contudo, do ponto de vista curricular pretende-se que os conteúdos a abranger no 3.º ciclo e Ensino Secundário sejam bem mais alargados, na medida em que importa promover a melhoria dos relacionamentos afectivo-sexuais e a redução das consequências negativas dos comportamentos sexuais de risco, entre muitos outros conteúdos. Até aqui, muito se tem dito, muito se tem escrito, legislação também não tem faltado e tem sido reconhecida a necessidade da implementação da educação sexual em meio escolar. O que é facto, é que, por questões de ordem ética e cultural, entre outras, o tratamento do tema tem esbarrado e muito pouco tem acontecido do ponto de vista prático. Hoje, como as questões tabu no âmbito da temática se encontram substancialmente esbatidas, julgamos necessário dotar as escolas de recursos materiais e humanos, com formação na área, de forma a que a sexualidade e a educação sexual sejam tratadas com rigor, pois só desse modo se conseguirá formar cidadãos mais informados e responsáveis.

Por fim, para concluirmos esta reflexão, interessa tecer algumas considerações acerca da construção/utilização de blogs, uma “ferramenta” com enormes potencialidades educativo-didácticas. Se para a disciplina de Didáctica II, o blog serviu como espaço de reflexão, mas também como instrumento de avaliação, não poderemos deixar de referir o interesse suscitado junto dos nossos alunos acerca da possibilidade de começarmos a explorar esta tecnologia informática para partilhar materiais de apoio ao estudo e dúvidas surgidas a propósito dos conteúdos leccionados ou a leccionar.

O trabalho desenvolvido na e para a disciplina em causa foi extremamente enriquecedor, já que nos permitiu aprender e reflectir sobre os conteúdos trabalhados. Sentimos que, hoje, os nossos horizontes enquanto docentes se encontram substancialmente mais alargados e, por isso, sentimo-nos, de igual modo, mais bem preparados para ajudar a crescer e a formar os jovens com quem trabalhamos diariamente.

Anúncios

Leave a comment »

Sexualidade e género na publicidade

A Sexualidade é inseparável do ser humano e está presente em tudo à nossa volta. Hoje em dia, “o tabu estilhaçou-se e existe, claramente, uma saturação de referências à sexualidade” (Neves & Osswald, 2008). Encontramo-la nos jornais, nas revistas, nos cartazes publicitários, na televisão, na Internet, no rádio, nos videojogos, nas conversas de dia-a-dia, quer se trate de crianças, jovens, adultos ou idosos, enfim, em inúmeras de situações diárias e, como consequência, crianças e adolescentes vão crescendo rodeados por todo o tipo de informações, umas correctas e outras totalmente incorrectas e até demagógicas (Ribeiro, 2008).

Uma das principais formas de comunicação que se encontra, constantemente, presente na nossa vida é a publicidade, estando esta “colada aos nossos olhos, ouvidos, dedos. Mexe com milhões de corações (…). Faz girar a economia. Altera gostos. E, no entanto, é a menos criticada das actividades criativas” (Torres, 2006, citado por Teixeira, Marques & Martins, 2008).

A verdade é que, “a publicidade explora manifestações da sexualidade humana, desde as fantasias eróticas aos mais primários estereótipos sexistas” (Teixeira, Marques & Martins, 2008). Na publicidade, é constante o apelo ao hiperconsumismo e para tal são utilizadas as mais variadas estratégias de marketing, sendo muitas delas fortemente marcados por concepções de sexualidade e género.

Também os jovens são fortemente “bombardeados” por publicidade que veicula, frequentemente, valores sexistas, exibindo a mulher como objecto de desejo ou como ser submisso, o que exercerá, por certo, uma influência nefasta no seu desenvolvimento psicossocial.

Como refere Teixeira, Marques e Martins (2008), “A publicidade, enquanto currículo cultural, ensina modos de ser e fixa grelhas de leitura da realidade, concorrendo com o currículo escolar pelo seu imediatismo, criatividade e apelo aos desejos mais profundos”. Deste modo é fundamental que a escola, e consequentemente os docentes, adquiram formação que permita ajudar os jovens a desenvolver capacidades de análise crítica necessária para desmontarem as estratégias de manipulação dos modos de ser, pensar e agir que a publicidade põe em jogo.

____________________________________________________________

Referências biliográficas:

– Teixeira, F.; Marques. F; Martins, I. (2008). Sexualidade e Género no Discurso Publicitário: implicações educacionais. Anais [recurso electrónico]: currículo, teoria. métodos/IV Colóquio Luso-Brasileiro sobre Questões Curriculares e VIII Colóquio sobre Questões Curriculares. Florianópolis

– Ribeiro, T. “Educação da sexualidade em meio escolar: os valores comuns” livro de actas do Encontro Luso-Brasileiro de Bioética, Porto.

– Neves M.; Oswald, W. (2008) Bioética simples. Editorial Verbo. Lisboa.

Leave a comment »

Sexualidade e educação sexual

Segundo a Organização Mundial de Saúde: “A sexualidade é uma energia que nos motiva a procurar amor, contacto, ternura e intimidade; que se integra no modo como nos sentimos, movemos, tocamos e somos tocados; é ser-se sensual e ao mesmo tempo sexual; ela influencia pensamentos, sentimentos, acções e interacções e, por isso, influencia também a nossa saúde física e mental.”

Se atendermos a esta definição, apercebemo-nos que estamos perante um tema bastante complexo, pois abrange componentes morfológicas, fisiológicas, emocionais, afectivas e culturais.

Embora desde sempre a sexualidade estivesse presente na vida dos indivíduos, até há muito pouco tempo foi considerada um assunto do foro íntimo, pelo que, nas escolas, apenas eram abordadas as componentes morfológicas e fisiológicas, nas aulas de Ciências. Depreende-se, assim, a vivência de uma sexualidade nada ou muito pouco informada. Aliás, é conveniente salientar que a informação e a formação foi negligenciada durante muitas décadas, já que, neste âmbito, os valores sociais eram, genericamente, os veiculados por um Estado retrógrado e fechado em si mesmo, um Estado que considerava a sexualidade um assunto tabu.

Hoje, a sociedade tem uma visão diferente sobre o tema sexualidade, já que se foi emancipando dos costumes e valores que eram defendidos pelo Estado e, consequentemente, este, por arrasto, também tem vindo a mudar de paradigma, no que concerne ao espírito de abertura para as novas questões levantadas pela sociedade.

Neste contexto de mudança, a sexualidade é, hoje, vista como um aspecto fundamental para a formação integral do ser humano, pois considera-se que uma vivência afectiva e sexual plena é uma condição fundamental para o equilíbrio de qualquer indivíduo. Neste quadro, a Educação Sexual assume especial relevância, pelo que, nos últimos tempos, ainda que de um modo algo tímido, têm sido dados alguns passos no sentido de informar a população acerca de alguns aspectos desta índole e de promover a formação dos jovens cidadãos, nomeadamente em espaço escolar.

Importa referir que as mudanças entretanto ocorridas não aconteceram por acaso. Elas ficaram a dever-se a pressões sociais, nomeadamente de organizações não governamentais, mas também à grande influência da Organização Mundial da Saúde, que gradualmente conseguiram influenciar os governos, incluindo o português, no sentido de adoptar medidas de desenvolvimento social e promotoras da saúde pública.

Entre outros normativos e orientações, a Lei nº 120/99, de 11 de Agosto, consagrou medidas de promoção da educação sexual, da saúde reprodutiva e da prevenção de doenças transmitidas por via sexual, bem como relativas à efectivação da interrupção voluntária da gravidez nos casos que esta é legalmente admissível.

O Decreto-Lei n.º 259/2000, de 17 de Outubro, no artigo 1.º, ponto 2, refere que o projecto educativo de cada escola deve integrar estratégias de promoção da saúde sexual, tanto no desenvolvimento do currículo, como na organização de actividades de enriquecimento curricular, favorecendo a articulação escola-família, fomentar a participação da comunidade escolar e dinamizar parcerias com entidades externas à escola, nomeadamente com o centro de saúde da respectiva área.

É conveniente referir que, por muita preocupação que tivesse existido em dar uma resposta adequada em relação à temática em causa e por bem formulados que estivessem os normativos mencionados, a regulamentação posterior e os meios materiais e humanos facultados às escolas não possibilitaram a efectiva aplicação do estipulado.   

Tendo em consideração as dificuldades sentidas pelas escolas, em 2005, por portaria do Ministério da Educação, foi criado o Grupo de Trabalho de Educação Sexual, coordenado pelo professor Daniel Sampaio. O relatório elaborado pelo Grupo em causa refere que a educação em matérias relacionadas com a saúde se tem processado fundamentalmente através de acções de carácter essencialmente informativo pontual, sem continuidade pedagógica, dirigidas a alunos, professores e pais, dinamizadas por agentes exteriores à escola. É ainda mencionado que em matéria de prevenção “só informação não basta”, propondo, por isso, que a Educação Sexual seja integrada numa nova dinâmica curricular de Promoção e Educação para a Saúde e ser considerada prioritária pelo Ministério da Educação, passando a assumir carácter obrigatório.

No documento em causa é referido que a participação dos alunos e a sua capacitação permanente deverão estar presentes em todas as fases de aprendizagem, de modo que a facultar-lhes, para além da informação necessária, a oportunidade de compreender a dimensão afectiva da sexualidade, ajudando-os a compreender as emoções, os sentimentos e as decisões envolvidos no comportamento sexual. Verifica-se, também, o aconselhamento no sentido dos pais e encarregados de educação estarem em contacto permanente com a planificação e execução desta área, numa perspectiva de colaboração com a escola, de modo a que as propostas formuladas possam ter êxito.

Segundo Caetano (2007), Portugal é dos países da União Europeia com os mais altos níveis de incidência de Toxicodependência, Alcoolismo, Gravidez não desejada na adolescência, abuso sexual e infecção por agentes das Doenças Sexualmente Transmissíveis, pelo que “a Educação para a Saúde e para a Sexualidade não é necessária – é indispensável e urgente”.

De forma a dar resposta às necessidades e preocupações sentidas, foi recentemente emanada legislação a estabelecer a obrigatoriedade da aplicação da educação sexual nas escolas e a definir as respectivas orientações curriculares adequadas para os diferentes níveis de ensino (Lei n.º 60/2009, de 6 de Agosto; Portaria nº 196-A/2010, de 9 de Abril).  

Como consideramos que Educação Sexual assume um papel importante na formação dos jovens cidadãos, julgamos que ela é necessária, indispensável e urgente. Tenhamos, por isso, condições nas escolas para colocar em prática as orientações legisladas.

__________________________________________________________

Referências bibliograficas:

– Caetano, J. (2007). A educação para a saúde e para a sexualidade. 2.º Congresso da Pastoral da Saúde ao Serviço da Pessoa – Curar e Cuidar. Fátima, Centro Pastoral Paulo VI.

– Relatório preliminar grupo de trabalho de educação sexual (2005). Acedido em http://www.netprof.pt/pdf/Relatorio_EduSexual.pdf

– Lei nº 120/99, de 11 de Agosto, Diário da República n.º 186 – I Série-A. Ministério da Educação. Lisboa.

– Decreto-Lei n.º 259/2000, de 17 de Outubro Diário da República n.º 240 – I Série-A. Ministério da Educação. Lisboa.

– Lei n.º 60/2009, de 6 de Agosto, Diário da República n.º 151 – 1.ª Série. Ministério da Educação. Lisboa.

– Portaria nº 196-A/2010, de 9 de Abril, Diário da República n.º 69 – 1.ª Série. Ministério da Educação. Lisboa.

Leave a comment »

O trabalho Prático no Ensino das Ciências no 3.º CEB e ES

Já há algum tempo atrás abordei a temática, Trabalho Prático no Ensino das Ciências a propósito de um plano de aula em que propus a realização de uma trabalho laboratorial.

A aula de Didáctica de 22/04 contribuiu para recordar algumas das leituras que na altura tinha realizado acerca do trabalho prático. Nesse momento teci, apenas, algumas considerações sobre um tipo de trabalho prático – o trabalho laboratorial, pois era o que estava em causa. Contudo, o trabalho prático é mais abrangente pois além do trabalho laboratorial engloba o trabalho de campo e mesmo “actividades de resolução de problemas de papel e lápis, de pesquisa de informação na biblioteca ou na internet, de utilização de simulações informáticas, etc.” (Leite, 2000). Segundo a mesma autora, ainda temos de considerar o trabalho prático que envolve o controlo e a manipulação de variáveis, ou seja, o trabalho experimental e este, tanto pode ocorrer no laboratório como no campo.

Um dos aspectos positivos desta aula foi o de recordar/alertar para o facto de:
 – uma actividade laboratorial não dever ser usada apenas para motivar, aliás em si mesmo não é garantia de motivação. Sem dúvida alguma que esta deve ser uma das funções da actividade laboratorial, tal como de qualquer outro tipo de actividade de aprendizagem;

– a actividade laboratorial não ser garantia de desenvolvimento de competências laboratoriais nem de atitudes científicas.

Leite (2000) defende que o trabalho laboratorial deve ter em conta os objectivos anteriores, mas estes devem surgir juntamente com os que justificam a realização da actividade.

Outro aspecto que não devemos descurar é que os alunos devem sentir a importância que o trabalho desenvolvido tem para a sua formação. Assim, é fundamental, sempre que possível e em contexto apropriado, recordar/utilizar os conhecimentos adquiridos durante a realização do trabalho laboratorial/experimental.

_______________________________________________________

Referências bibliográficas

Leite, L. (2000). As actividades laboratoriais e a avaliação das aprendizagens dos alunos. In Sequeira, M. et al. (org.). Trabalho prático e experimental na educação em ciências. Braga. Universidade do Minho.

Comments (2) »

Avaliação formativa dos blogs

A aula de 15/04 foi dedicada à avaliação formativa dos blogs. Alguns mestrandos apresentaram os seus blogs e a Professora Maria João teceu alguns comentários acerca dos mesmos. Esses comentários, pela sua pertinência, constituíram um contributo extremamente útil para o aperfeiçoamento dos nossos blogs.

Mais uma vez foi recordado que, nas nossas reflexões, devemos referir em que medida a abordagem dos diferentes temas têm contribuído para alterar as nossas práticas lectivas.

Podemos afirmar que os temas tratados têm tido implicações na prática lectiva, mas ainda há muito caminho a percorrer. A verdade é que, por norma, os processos de mudança são lentos, sobretudo quando já se lecciona há muitos anos e se verificam alguns  vícios instalados.

Mas como canta José Mário Branco

“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,

Muda-se o ser, muda-se a confiança;

Todo o mundo é composto de mudança,

Tomando sempre novas qualidades.”

A utilização de boas práticas é um processo desejável, mas sempre que estas implicam a utilização de conceitos novos, de estratégias e materiais diferentes, requerem o estabelecimento de uma relação de confiança, já que é mais fácil utilizar aquilo a que nos fomos habituando. Não é que esta atitude aconteça por mera aversão aos processos de mudança. Muitas vezes, os sujeitos até reconhecem a necessidade de mudar. Porém, necessitam de sentir alguma segurança face a tais processos, pois sentir-se-ão mais confiantes e então passarão a investir de um modo mais assertivo. Importa referir que, tal como “o caminho se faz caminhado”, os processos de mudança a nível educativo também não deverão ser abruptos. Deverão, isso sim, ser assimilados pelos respectivos intervenientes de forma gradual, para que possam ser levados à prática com mais consistência.

Leave a comment »

A Educação para o Desenvolvimento Sustentável

A espécie humana surgiu à relativamente pouco tempo. Contudo, se compararmos a população humana existente há 10 000 anos atrás com a do último século, verificamos que ocorreu um crescimento acelerado da mesma.

O elevado crescimento populacional torna as populações mais dependentes dos ecossistemas, uma vez que, para garantirem a sobrevivência, há um aumento do consumo dos recursos e da utilização do espaço. O Homem, sobretudo nos últimos anos, de uma forma intensa e rápida, tem contribuído para o aparecimento e agravamento de uma série de problemas ambientais.

Como refere Sá (2008), “No contexto actual, onde se vivem profundas assimetrias num planeta limitado e finito em espaço e em recursos, é fundamental a compreensão das problemáticas que enfrentamos, a consciencialização da responsabilidade do ser humano na situação planetária actual”.

O que podemos fazer para atenuar as consequências da interferência do Homem no equilíbrio dos ecossistemas?  

Sem dúvida alguma que cada um de nós pode e deve e adoptar estilos de vida e desenvolver comportamentos e atitudes que promovam a sustentabilidade. Mas, como formadores que somos, não podemos esquecer que a escola é responsável por incutir nos seus alunos a necessidade de serem cidadãos socialmente responsáveis e activos, sobretudo num período da História da Terra em que o ser humano domina o planeta, mas tem desenvolvido acções que colocam em risco o equilíbrio deste.

A Educação para o Desenvolvimento Sustentável deve ser assumida como uma dimensão essencial da educação, na qual a escola desempenha um papel fulcral, pois “é na escola que também se educam as gerações vindouras e, por isso mesmo, as vivências e práticas que aí se implementam têm repercussões na própria sociedade.” (Courela & César, 2006).

As ocorrências que põem em causa o equilíbrio dos ecossistemas são muitos frequentes, para não dizer diárias, sendo alvo de tratamento jornalístico. Por vezes, tais notícias passam-nos despercebidas, mas o que é facto é que os nossos alunos tratam de tomar conta de tais ocorrências e são eles que nos alertam para determinados acontecimentos. Eles nunca deixam passar nada. Há sempre alguém que traz esses problemas para as aulas. E, como não podia deixar de ser, em muitas das aulas de Ciências, colocamos de lado o plano de aula, as estratégias pensadas, aquela ficha de trabalho que nos tirou mais algumas horas de sono… e trilhamos um outro caminho que, apesar de não ser o previsto, poderá ser mais vantajoso e enriquecedor para a sua formação dos nossos alunos.

Os desequilíbrios em causa não se reportam apenas aos grandes desastres ambientais, mas também ao conjunto de pequenas atitudes ou negligências, que todos acabamos por ter e que somadas, acabam por ter uma influência tão ou mais nefasta para o meio ambiente do que os grandes acidentes. É este o aspecto que diariamente tentamos passar aos alunos. Quantas vezes lhes dizemos que, a título individual, o importante não é encontrar soluções com grande visibilidade, reconhecidas a nível nacional e mesmo internacional, para resolver os grandes problemas relacionados com a sustentabilidade. É evidente que as ideias criativas são sempre bem-vindas, mas o essencial é que cada sujeito, com o seu pequeno contributo, ajude a alterar a situação em que nos encontramos.

 _______________________________________________

Referências bibliográficas

– Courela, C., & César, M. (2006). Promovendo a sustentabilidade: Uma experiência de partilha entre a escola e a comunidade envolvente. Revista Electrónica de Enseñanza de las Ciencias, 5

– Sá, P. (2008). Educação para o Desenvolvimento Sustentável no 1º CEB: Contributos da Formação de Professores. Tese de Doutoramento não publicada. Universidade de Aveiro.

 

Leave a comment »

“Odisseia” no ensino

No nosso dia-a-dia, enquanto professores, recorremos às mais variadas estratégias de ensino aprendizagem. Quando, há uns bons anos atrás, iniciei esta odisseia, que é o ensino, tudo era mais fácil. A simples projecção de um acetato, com um texto, um esquema ou uma imagem, era suficiente para motivar e atrair os nossos alunos para a aprendizagem.

Os tempos eram outros. E fazendo uma retrospectiva, consigo constatar que, de um modo geral, os alunos evidenciavam maiores índices de atenção, de auto motivação, de empenho, de respeito pelos outros… Antes, por um qualquer motivo, podia não apresentar um bom plano de aula, que muito dificilmente ocorriam situações de indisciplina na sala de aula. Hoje, o panorama é substancialmente diferente. Eis uma das hipotéticas (ou será mesmo verdadeira) razões explicativas para tal facto.O direito à educação está constitucionalmente consagrado, e ainda bem, e tem sido consubstanciado através da democratização do ensino, o que constitui um marco histórico na educação do nosso país, no pós Revolução de Abril. Mas, o que é facto, é que o modelo de democratização encetado também é uma fonte de problemas. A escola tem sido confrontada com uma população cada vez mais diversa (com maior ou menor capacidade intelectual, com mais ou menos apetência para os estudos) e a todos tem que dar resposta, ainda que, muitas vezes, não possua os recursos adequados e diferenciados para o fazer. Por outro lado, trava uma batalha desigual, que não tem de ser uma batalha perdida, obviamente. Mas enquanto a sociedade oferece um mundo de solicitações e prazer fácil e imediato, a escola exige esforço, empenho, dedicação, e é aqui que reside o problema. É desejável que a todos seja facultado uma formação e aquisição de conhecimentos essenciais? Claro que sim! Mas será que todos terão capacidades para desenvolver as competências necessárias à aquisição de formação superior? Julgo que não. A escola não tem que viver nesta encruzilhada de perspectivas. Tem sim, que ser capaz dar respostas adequadas aos diferentes tipos de público-alvo.

Se para uns a meta é a obtenção de um curso superior, para outros, que revelam menores capacidades, o desenvolvimento de competências não é menos fundamental, mas a via para lá chegar terá de ser outra. A escola terá que encontrar meios para motivar os diferentes alunos, inviabilizando as frequentes situações de abandono, pelo que é necessário facultar aquisição das competências básicas, a par de outras mais técnicas, direccionadas para o mercado de trabalho. Por que motivo não há-de a escola ajudar a formar electricistas, soldadores, mecânicos…mais competentes. Se queremos mais, mas sobretudo melhor educação teremos que adoptar medidas que ajudem a formar cidadãos mais competentes e melhor preparados para enfrentar um mercado de trabalho cada vez mais competitivo, mas também mais restrito em termos de oportunidades. Com medidas paliativas, como as que têm sido adoptadas nos últimos anos, não vamos a lado algum, até porque o sucesso estatístico muitas vezes não corresponde ao sucesso real.

Actualmente, o sucesso profissional de um docente está fortemente condicionado pela capacidade de motivar, comunicar e de se relacionar com os alunos. Para que tal aconteça, recorremos às mais variadas estratégias de ensino aprendizagem. Na verdade, temos que “despertar”, estimular, incentivar, surpreender (nem que seja fazendo o pino) os alunos, com novas técnicas e métodos de organizar o ensino e a aprendizagem se pretendemos que alcancem o tão desejado sucesso escolar. Mas será suficiente encetar novas estratégias e técnicas de motivação? Não será imprescindível adequar as aprendizagens às efectivas necessidades, aptidões e capacidades dos alunos? Não será necessário promover uma aprendizagem bidireccional – componente científica/componente técnicoprofissional? E será possível a efectiva aquisição de competências por parte da população escolar se esta não apresentar alguma auto motivação para a aprendizagem

Leave a comment »